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A revelação de Deus
1
Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,
2 nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem
constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o
mundo;
3 sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do
seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder,
havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados,
assentou-se à direita da Majestade nas alturas,
4 feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
Cristo é Filho, os anjos são ministros
5 Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu
Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me
será Filho?
6 E outra vez, ao introduzir no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.
7 Ora, quanto aos anjos, diz: Quem de seus anjos faz ventos, e de seus ministros labaredas de fogo.
8 Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos
séculos dos séculos, e cetro de equidade é o cetro
do teu reino.
9 Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu
Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus
companheiros;
10 e: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos;
11 eles perecerão, mas tu permaneces; e todos eles, como roupa, envelhecerão,
12 e qual um manto os enrolarás, e como roupa se mudarão;
mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão.
13 Mas a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha direita
até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus
pés?
14 Não são todos eles espíritos ministradores,
enviados para servir a favor dos que hão de herdar a
salvação?
O perigo da negligência
2
Por isso, convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas.
2 Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda
transgressão e desobediência recebeu justa
retribuição,
3 como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande
salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo
Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram:
4 testificando Deus juntamente com eles, por sinais e prodígios,
e por múltiplos milagres e dons do Espírito Santo,
distribuídos segundo a sua vontade.
Jesus coroado de glória: sumo sacerdote idôneo e compassivo
5 Porque não foi aos anjos que Deus sujeitou o mundo vindouro, de que falamos.
6 Mas em certo lugar testificou alguém dizendo: Que é o homem, para que te lembres dele?
Ou o filho do homem, para que o visites?
7 Fizeste-o um pouco menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste,
8 todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que
lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que não lhe fosse
sujeito. Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a
ele;
9 vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os
anjos, Jesus, coroado de glória e honra, por causa da
paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a
morte por todos.
10 Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e
por meio de quem tudo existe, em trazendo muitos filhos à
glória, aperfeiçoasse pelos sofrimentos o autor da
salvação deles.
11 Pois tanto o que santifica como os que são santificados,
vêm todos de um só; por esta causa ele não se
envergonha de lhes chamar irmãos,
12 dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, cantar-te-ei louvores no meio da congregação.
13 E outra vez: Porei nele a minha confiança. E ainda: Eis-me aqui, e os filhos que Deus me deu.
14 Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de
carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas
coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da
morte, isto é, o Diabo;
15 e livrasse todos aqueles que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à escravidão.
16 Pois, na verdade, não presta auxílio aos anjos, mas sim à descendência de Abraão.
17 Pelo que convinha que em tudo fosse feito semelhante a seus
irmãos, para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e fiel
nas coisas concernentes a Deus, a fim de fazer
propiciação pelos pecados do povo.
18 Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.
Cristo é superior a Moisés.
O perigo da incredulidade e da
desobediência
3 Pelo que, santos irmãos,
participantes da vocação celestial, considerai o
Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus,
2 como ele foi fiel ao que o constituiu, assim como também o foi Moisés em toda a casa de Deus.
3 Pois ele é tido por digno de tanto maior glória do que
Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a
edificou.
4 Porque toda casa é edificada por alguém, mas quem edificou todas as coisas é Deus.
5 Moisés, na verdade, foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar;
6 mas Cristo o é como Filho sobre a casa de Deus; a qual casa
somos nós, se tão somente conservarmos firmes até
o fim a nossa confiança e a glória da esperança.
7 Pelo que, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz,
8 não endureçais os vossos corações, como
na provocação, no dia da tentação no
deserto,
9 onde vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram por quarenta anos as minhas obras.
10 Por isto, me indignei contra essa geração e disse:
Estes sempre erram em seu coração, e não chegaram
a conhecer os meus caminhos.
11 Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso.
12 Vede, irmãos, que nunca se ache em qualquer de vós um
perverso coração de incredulidade, para se apartar do
Deus vivo;
13 antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que
se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo
engano do pecado;
14 porque nos temos tornado participantes de Cristo, se é que
guardamos firme até o fim a nossa confiança inicial;
15 enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não
endureçais os vossos corações, como na
provocação;
16 pois quais os que, tendo-a ouvido, o provocaram? Não foram,
porventura, todos os que saíram do Egito por meio de
Moisés?
17 E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi
porventura contra os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto?
18 E a quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão aos que foram desobedientes?
19 E vemos que não puderam entrar por causa da incredulidade.
A entrada no descanso de Deus pela fé
4 Portanto, tendo-nos sido deixada a
promessa de entrarmos no seu descanso, temamos não haja algum de
vós que pareça ter falhado.
2 Porque também a nós foram pregadas as boas novas, assim
como a eles; mas a palavra da pregação nada lhes
aproveitou, porquanto não chegou a ser unida com a fé
naqueles que a ouviram.
3 Porque nós, os que temos crido, é que entramos no
descanso, tal como disse: Assim jurei na minha ira: Não
entrarão no meu descanso; embora as suas obras estivessem
acabadas desde a fundação do mundo;
4 pois em certo lugar disse ele assim do sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as suas obras;
5 e outra vez, neste lugar: Não entrarão no meu descanso.
6 Visto, pois, restar que alguns entrem nele, e que aqueles a quem
anteriormente foram pregadas as boas novas não entraram por
causa da desobediência,
7 determina outra vez um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, depois de
tanto tempo, como antes fora dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz,
não endureçais os vossos corações.
8 Porque, se Josué lhes houvesse dado descanso, não teria falado depois disso de outro dia.
9 Portanto, resta ainda um repouso sabático para o povo de Deus.
10 Pois aquele que entrou no descanso de Deus, esse também descansou de suas obras, assim como Deus das suas.
11 Ora, à vista disso, procuremos diligentemente entrar naquele
descanso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de
desobediência.
12 Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do
que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a
divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e
é apta para discernir os pensamentos e propósitos do
coração.
13 E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes,
todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem
havemos de prestar contas.
Jesus, o sumo sacerdote que se compadece de nós
14 Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus,
Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a
nossa confissão.
15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa
compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como
nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
16 Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que
recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos
socorridos no momento oportuno.
Cristo, superior ao sacerdócio da antiga aliança
5 Porque todo sumo sacerdote tomado dentre
os homens é constituído a favor dos homens nas coisas
concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios
pelos pecados,
2 podendo ele compadecer-se devidamente dos ignorantes e errados,
porquanto também ele mesmo está rodeado de fraqueza.
3 E, por esta razão, deve ele, tanto pelo povo como também por si mesmo, oferecer sacrifício pelos pecados.
4 Ora, ninguém toma para si esta honra, senão quando é chamado por Deus, como o foi Arão.
5 Assim, também Cristo não se glorificou a si mesmo, para
se fazer sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse: Tu
és meu Filho, hoje te gerei;
6 como também em outro lugar diz: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
7 O qual nos dias da sua carne, tendo oferecido, com grande clamor e
lágrimas, orações e súplicas ao que podia
livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua reverência,
8 ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu;
9 e, tendo sido aperfeiçoado, veio a ser autor de eterna salvação para todos os que lhe obedecem,
10 sendo por Deus chamado sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.
Os cristãos hebreus não tinham progredido
11 Sobre isso temos muito que dizer, mas de difícil interpretação, porquanto vos tornastes tardios em ouvir.
12 Porque, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao
tempo decorrido, necessitais de que se vos torne a ensinar os
princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis
feito tais que precisais de leite e não de alimento
sólido.
13 Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança;
14 mas o alimento sólido é para os adultos, os quais
têm, pela prática, as faculdades exercitadas para
discernir tanto o bem como o mal.
Exortação ao progresso na fé
6 Pelo que, deixando os rudimentos da
doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição,
não lançando de novo o fundamento de arrependimento de
obras mortas e de fé em Deus,
2 e o ensino sobre batismos e imposição de mãos, e
sobre ressurreição de mortos e juízo eterno.
3 E isso faremos, se Deus o permitir.
Os perigos espirituais
4 Porque é impossível que os que uma vez
foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram
participantes do Espírito Santo,
5 e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro,
6 e depois caíram, sejam outra vez renovados para
arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de
novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério.
7 Pois a terra que embebe a chuva, que cai muitas vezes sobre ela, e
produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a
bênção da parte de Deus;
8 mas se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto
está da maldição; o seu fim é ser queimada.
As coisas melhores e pertencentes à salvação
9 Mas de vós, ó amados, esperamos coisas
melhores e que acompanham a salvação, ainda que assim
falamos.
10 Porque Deus não é injusto, para se esquecer da vossa
obra e do amor que para com o seu nome mostrastes, porquanto servistes
aos santos, e ainda os servis.
11 E desejamos que cada um de vós mostre o mesmo zelo até o fim, para completa certeza da esperança;
12 para que não vos torneis indolentes, mas sejais imitadores
dos que pela fé e paciência herdam as promessas.
A imutabilidade da promessa de Deus
13 Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha outro maior por quem jurar, jurou por si mesmo,
14 dizendo: Certamente, te abençoarei e grandemente te multiplicarei.
15 E assim, tendo Abraão esperado com paciência, alcançou a promessa.
16 Pois os homens juram por quem é maior do que eles, e o
juramento para confirmação é, para eles, o fim de
toda contenda.
17 Assim que, querendo Deus mostrar mais abundantemente aos herdeiros
da promessa a imutabilidade do seu conselho, se interpôs com
juramento;
18 para que por duas coisas imutáveis, nas quais é
impossível que Deus minta, tenhamos poderosa
consolação, nós, os que nos refugiamos em
lançar mão da esperança proposta;
19 a qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até o interior do véu;
20 aonde Jesus, como precursor, entrou por nós, feito sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
Melquisedeque, tipo de Cristo
7 Porque este Melquisedeque, rei de
Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro
de Abraão quando este regressava da matança dos reis, e o
abençoou,
2 a quem também Abraão separou o dízimo de tudo
(sendo primeiramente, por interpretação do seu nome, rei
de justiça, e depois também rei de Salém, que
é rei de paz;
3 sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo
princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho
de Deus), permanece sacerdote para sempre.
O sacerdócio de Cristo é superior ao levítico
4 Considerai, pois, quão grande era este, a
quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dentre os
melhores despojos.
5 E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio
têm ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo,
isto é, de seus irmãos, ainda que estes também
tenham saído dos lombos de Abraão;
6 mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles,
tomou dízimos de Abraão e abençoou ao que tinha as
promessas.
7 Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior.
8 E aqui certamente recebem dízimos homens que morrem; ali, porém, os recebe aquele de quem se testifica que vive.
9 E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos,
10 porquanto ele estava ainda nos lombos de seu pai quando Melquisedeque saiu ao encontro deste.
O sacerdócio levítico teve fim, mas o de Cristo é eterno
11 De sorte que, se a perfeição fosse
pelo sacerdócio levítico (pois sob este o povo recebeu a
lei), que necessidade havia ainda de que outro sacerdote se levantasse,
segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado
segundo a ordem de Arão?
12 Pois, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.
13 Porque aquele, de quem estas coisas se dizem, pertence a outra tribo, da qual ninguém ainda serviu ao altar,
14 visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, tribo da qual Moisés nada falou acerca de sacerdotes.
15 E ainda muito mais manifesto é isto, se à semelhança de Melquisedeque se levanta outro sacerdote,
16 que não foi feito conforme a lei de um mandamento carnal, mas segundo o poder duma vida indissolúvel.
17 Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
18 Pois, com efeito, o mandamento anterior é revogado por causa da sua fraqueza e inutilidade
19 (pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta sorte
é introduzida uma melhor esperança, pela qual nos
aproximamos de Deus.
Cristo, sacerdote único e perfeito
20 E visto como não foi sem prestar juramento (porque, na verdade, aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes,
21 mas este com juramento daquele que lhe disse: Jurou o Senhor e
não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre),
22 de tanto melhor pacto Jesus foi feito fiador.
23 E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer,
24 mas este, porque permanece para sempre, tem o seu sacerdócio perpétuo.
25 Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se
chegam a Deus, porquanto vive sempre para interceder por eles.
26 Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado,
separado dos pecadores, e feito mais sublime que os céus;
27 que não necessita, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada
dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados,
e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez por todas, quando
se ofereceu a si mesmo.
28 Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens que têm
fraquezas, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei,
constitui ao Filho, para sempre aperfeiçoado.
A antiga aliança era o símbolo transitório da nova,
superior e eterna, da qual Cristo é o Mediador
8 Ora, do que estamos dizendo, o ponto
principal é este: Temos um sumo sacerdote tal, que se assentou
nos céus à direita do trono da Majestade,
2 ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor fundou, e não o homem.
3 Porque todo sumo sacerdote é constituído para oferecer
dons e sacrifícios; pelo que era necessário que esse sumo
sacerdote também tivesse alguma coisa que oferecer.
4 Ora, se ele estivesse na terra, nem seria sacerdote, havendo já os que oferecem dons segundo a lei,
5 os quais servem àquilo que é figura e sombra das coisas
celestiais, como Moisés foi divinamente avisado, quando estava
para construir o tabernáculo; porque lhe foi dito: Olha, faze
conforme o modelo que no monte se te mostrou.
6 Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente,
quanto é mediador de um melhor pacto, o qual está firmado
sobre melhores promessas.
7 Pois, se aquele primeiro fora sem defeito, nunca se teria buscado lugar para o segundo.
8 Porque repreendendo-os, diz: Eis que virão dias, diz o Senhor,
em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá
um novo pacto.
9 Não segundo o pacto que fiz com seus pais no dia em que os
tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; pois não
permaneceram naquele meu pacto, e eu para eles não atentei, diz
o Senhor.
10 Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois
daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento,
e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e
eles serão o meu povo;
11 e não ensinará cada um ao seu concidadão, nem
cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos
me conhecerão, desde o menor deles até o maior.
12 Porque serei misericordioso para com suas iniquidades e de seus pecados não me lembrarei mais.
13 Dizendo: Novo pacto, ele tornou antiquado o primeiro. E o que se
torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer.
Os ritos, ofertas e sacrifícios mosaicos era
imperfeitos e ineficazes
9
Ora, também o primeiro pacto tinha ordenanças de serviço sagrado e um santuário terrestre.
2 Pois foi preparada uma tenda, a primeira, na qual estavam o
candeeiro, a mesa e os pães da proposição; a essa
se chama o Santo Lugar;
3 mas depois do segundo véu estava a tenda que se chama o Santo dos Santos,
4 que tinha o incensário de ouro e a arca do pacto, toda coberta
de ouro em redor; na qual estava um vaso de ouro, que continha o
maná, e a vara de Arão, que tinha brotado, e as
tábuas do pacto;
5 e sobre a arca os querubins da glória, que cobriam o
propiciatório; das quais coisas não falaremos agora
particularmente.
6 Ora, estando estas coisas assim preparadas, entram continuamente na
primeira tenda os sacerdotes, celebrando os serviços sagrados;
7 mas na segunda só o sumo sacerdote, uma vez por ano,
não sem sangue, o qual ele oferece por si mesmo e pelos erros do
povo;
8 dando o Espírito Santo a entender com isso, que o caminho do
santuário não está descoberto, enquanto subsiste a
primeira tenda,
9 que é uma parábola para o tempo presente, conforme a
qual se oferecem tanto dons como sacrifícios que, quanto
à consciência, não podem aperfeiçoar aquele
que presta o culto;
10 sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias
abluções, umas ordenanças da carne, impostas
até um tempo de reforma.
O sacrifício de Cristo não se repete, é perfeito e eficaz
11 Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos
bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito
tabernáculo (não feito por mãos, isto é,
não desta criação),
12 e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no
Santo dos Santos, havendo obtido uma eterna redenção.
13 Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das
cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à
purificação da carne,
14 quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se
ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras
mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?
15 E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo
a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo
do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança
eterna.
16 Pois, onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador.
17 Porque um testamento não tem torça senão pela morte, visto que nunca tem valor enquanto o testador vive.
18 Pelo que nem o primeiro pacto foi consagrado sem sangue;
19 porque, havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os
mandamentos segundo a lei, tomou o sangue dos novilhos e dos bodes, com
água, lã purpúrea e hissopo e aspergiu tanto o
próprio livro como todo o povo,
20 dizendo: este é o sangue do pacto que Deus ordenou para vós.
21 Semelhantemente aspergiu com sangue também o tabernáculo e todos os vasos do serviço sagrado.
22 E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e
sem derramamento de sangue não há remissão.
O sacrifício de Cristo é eficaz para sempre
23 Era necessário, portanto, que as figuras das
coisas que estão no céu fossem purificadas com tais
sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com
sacrifícios melhores do que estes.
24 Pois Cristo não entrou num santuário feito por
mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu,
para agora comparecer por nós perante a face de Deus;
25 nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio;
26 doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde
a fundação do mundo; mas agora, na
consumação dos séculos, uma vez por todas se
manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
27 E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo,
28 assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para
levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado,
aos que o esperam para salvação.
Os sacrifícios antigos eram humanos e transitórios.
A
expiação feita por Cristo é divina e permanente
10 Porque a lei, tendo a sombra dos bens
futuros, e não a imagem exata das coisas, não pode nunca,
pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em
ano, aperfeiçoar os que se chegam a Deus.
2 Doutra maneira, não teriam deixado de ser oferecidos? Pois
tendo sido uma vez purificados os que prestavam o culto, nunca mais
teriam consciência de pecado.
3 Mas nesses sacrifícios cada ano se faz recordação dos pecados,
4 porque é impossível que o sangue de touros e de bodes tire pecados.
5 Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste;
6 não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado.
7 Então, eu disse: Eis-me aqui (no rol do livro está escrito de mim) para fazer, ó Deus, a tua vontade.
8 Tendo dito acima: Sacrifício e ofertas e holocaustos e
oblações pelo pecado não quiseste, nem neles te
deleitaste (os quais se oferecem segundo a lei);
9 agora disse: Eis-me aqui para fazer a tua vontade. Ele tira o primeiro, para estabelecer o segundo.
10 É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre.
11 Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e
oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem
tirar pecados;
12 mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos
pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus,
13 daí por diante esperando, até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés.
14 Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados.
15 E o Espírito Santo também no-lo testifica, porque depois de haver dito:
16 Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o
Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as
escreverei em seu entendimento; acrescenta:
17 E não me lembrarei mais de seus pecados e de suas iniquidades.
18 Ora, onde há remissão destes, não há mais oferta pelo pecado.
O privilégio de acesso dos crentes à presença de Deus
19 Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus,
20 pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne,
21 e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus,
22 cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira
certeza de fé; tendo o coração purificado da
má consciência, e o corpo lavado com água limpa,
23 retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa;
24 e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras,
25 não abandonando a nossa congregação, como
é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e
tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.
O castigo do pecado voluntário
26 Porque se voluntariamente continuarmos no pecado,
depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já
não resta mais sacrifício pelos pecados,
27 mas uma expectação terrível de juízo e
um ardor de fogo que há de devorar os adversários.
28 Havendo alguém rejeitado a lei de Moisés, morre sem
misericórdia, pela palavra de duas ou três testemunhas;
29 de quanto maior castigo cuidais vós será julgado
merecedor aquele que pisar o Filho de Deus e tiver por profano o sangue
do pacto, com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da
graça?
30 Pois conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança,
eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.
31 Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.
Apelo para o passado.
A recompensa não tarda
32 Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em
que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de
aflições;
33 pois por um lado fostes feitos espetáculo tanto por
vitupérios como por tribulações, e por outro vos
tornastes companheiros dos que assim foram tratados.
34 Pois não só vos compadecestes dos que estavam nas
prisões, mas também com gozo aceitastes a
espoliação dos vossos bens, sabendo que vós tendes
uma possessão melhor e permanente.
35 Não lanceis fora, pois, a vossa confiança, que tem uma grande recompensa.
36 Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.
37 Pois, ainda em bem pouco tempo, aquele que há de vir virá e não tardará.
38 Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.
39 Nós, porém, não somos daqueles que recuam para
a perdição, mas daqueles que crêem para a
conservação da alma.
A natureza da fé
11
Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.
2 Porque por ela os antigos alcançaram bom testemunho.
3 Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de
Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se
vê.
Exemplos de fé extraídos do Antigo Testamento
Os primeiros
heróis
4 Pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente
sacrifício que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que
era justo, dando Deus testemunho das suas oferendas e, por meio dela,
depois de morto, ainda fala.
5 Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; e
não foi achado, porque Deus o trasladara; pois antes da sua
trasladação, alcançou testemunho de que agradara a
Deus.
6 Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque
é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que
ele existe e que é galardoador dos que o buscam.
7 Pela fé, Noé, divinamente avisado das coisas que ainda
não se viam, sendo temente a Deus, preparou uma arca para o
salvamento da sua família; e por esta fé condenou o mundo
e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé.
Os patriarcas
8 Pela fé, Abraão, sendo chamado,
obedeceu, saindo para um lugar que havia de receber por herança;
e saiu sem saber para onde ia.
9 Pela fé, peregrinou na terra da promessa, como em terra
alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele
da mesma promessa;
10 porque esperava a cidade que tem os fundamentos, da qual o arquiteto e edificador é Deus.
11 Pela fé, até a própria Sara recebeu a virtude
de conceber um filho, mesmo fora da idade, porquanto teve por fiel
aquele que lho havia prometido.
12 Pelo que também de um, e esse já amortecido,
descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu
e como a areia inumerável que está na praia do mar.
13 Todos estes morreram na fé, sem terem alcançado as
promessas; mas tendo-as visto e saudado, de longe, confessaram que eram
estrangeiros e peregrinos na terra.
14 Ora, os que tais coisas dizem, mostram que estão buscando uma pátria.
15 E se, na verdade, se lembrassem daquela donde haviam saído, teriam oportunidade de voltar.
16 Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a
celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles,
de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.
17 Pela fé, Abraão, sendo provado, ofereceu Isaque; sim,
ia oferecendo o seu unigênito, aquele que recebera as promessas,
18 e a quem se havia dito: Em Isaque será chamada a tua descendência,
19 julgando que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar; e daí também em figura o recobrou.
20 Pela fé, Isaque abençoou Jacó e a Esaú, no tocante às coisas futuras.
21 Pela fé, Jacó, quando estava para morrer,
abençoou cada um dos filhos de José, e adorou, inclinado
sobre a extremidade do seu bordão.
22 Pela fé, José, estando próximo o seu fim, fez
menção da saída dos filhos de Israel e deu ordem
acerca de seus ossos.
Moisés
23 Pela fé, Moisés, logo ao nascer, foi
escondido por seus pais durante três meses, porque viram que o
menino era formoso; e não temeram o decreto do rei.
24 Pela fé, Moisés, sendo já homem, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,
25 escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter por algum tempo o gozo do pecado,
26 tendo por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.
27 Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei;
porque ficou firme, como quem vê aquele que é
invisível.
28 Pela fé, celebrou a páscoa e a aspersão do
sangue, para que o destruidor dos primogênitos não lhes
tocasse.
29 Pela fé, os israelitas atravessaram o Mar Vermelho, como por
terra seca; e tentando isso os egípcios, foram afogados.
Os israelitas em Canaã
30 Pela fé, caíram os muros de Jericó, depois de rodeados por sete dias.
31 Pela fé, Raabe, a meretriz, não pereceu com os desobedientes, tendo acolhido em paz os espias.
32 E que mais direi? Pois me faltará o tempo, se eu contar de
Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi,
de Samuel e dos profetas;
33 os quais, por meio da fé, venceram reinos, praticaram a
justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca dos
leões,
34 apagaram a força do fogo, escaparam ao fio da espada, da
fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra,
puseram em fuga exércitos estrangeiros.
35 As mulheres receberam, pela ressurreição, os seus
mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento,
para alcançarem uma melhor ressurreição;
36 e outros experimentaram escárnios e açoites, e ainda cadeias e prisões.
37 Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao
fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras,
necessitados, aflitos e maltratados
38 (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra.
39 E todos estes, embora tendo recebido bom testemunho pela fé, contudo não alcançaram a promessa;
40 visto que Deus provera alguma coisa melhor a nosso respeito, para
que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados.
Devemos imitar o exemplo de Cristo, que foi
perseverante em meio às provações
12 Portanto, nós também,
pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas,
deixemos todo embaraço, o pecado que tão de perto nos
rodeia e corramos com perseverança a carreira que nos
está proposta,
2 fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o
qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz,
desprezando a ignomínia, e está assentado à
direita do trono de Deus.
3 Considerai, pois, aquele que suportou tal contradição
dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis,
desfalecendo em vossas almas.
As provações revelam o amor paternal de Deus para com seus filhos
4 Ainda não resististes até o sangue, combatendo contra o pecado;
5 e já vos esquecestes da exortação que vos
admoesta como a filhos: Filho meu, não desprezes a
correção do Senhor, nem te desanimes quando por ele
és repreendido;
6 pois o Senhor corrige ao que ama, e açoita a todo o que recebe por filho.
7 É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos;
pois, qual é o filho a quem o pai não corrija?
8 Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado
participantes, sois, então, bastardos e não filhos.
9 Além disto, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos
corrigirem, e os olhávamos com respeito; não nos
sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos e viveremos?
10 Pois aqueles por pouco tempo nos corrigiam como bem lhes parecia,
mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua
santidade.
11 Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser
motivo de gozo, porém de tristeza; mas depois produz um fruto
pacífico de justiça nos que por ele têm sido
exercitados.
12 Portanto, levantai as mãos cansadas e os joelhos vacilantes,
13 e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que é manco não se desvie, antes seja curado.
A exortação à paz e à pureza
14 Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor,
15 tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de
Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por
ela muitos se contaminem;
16 e ninguém seja devasso, ou profano como Esaú, que por
uma simples refeição vendeu o seu direito de
primogenitura.
17 Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a
bênção, foi rejeitado; porque não achou
lugar de arrependimento, ainda que o buscou diligentemente com
lágrimas.
O contraste entre o Sinai e Sião
18 Pois não tendes chegado ao monte
palpável, aceso em fogo, e à escuridão, e
às trevas, e à tempestade,
19 e ao sonido da trombeta, e à voz das palavras, a qual os que a ouviram rogaram que não se lhes falasse mais;
20 porque não podiam suportar o que se lhes mandava: Se até um animal tocar o monte, será apedrejado.
21 E tão terrível era a visão, que Moisés disse: Estou todo aterrorizado e trêmulo.
22 Mas tendes chegado ao Monte Sião e à cidade do Deus
vivo, à Jerusalém celestial, a miríades de anjos;
23 à universal assembleia e igreja dos primogênitos
inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos
espíritos dos justos aperfeiçoados;
24 e a Jesus, o mediador de um novo pacto, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.
25 Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se não
escaparam aqueles quando rejeitaram o que sobre a terra os advertia,
muito menos escaparemos nós, se nos desviarmos daquele que nos
adverte lá dos céus;
26 a voz do qual abalou então a terra; mas agora tem ele prometido, dizendo: Ainda uma vez
por todas hei de abalar não só a terra, mas também o céu.
27 Ora, esta palavra: Ainda uma vez por todas, significa a
remoção das coisas abaláveis, como coisas criadas,
para que permaneçam as coisas inabaláveis.
28 Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser
abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus
agradavelmente, com reverência e temor;
29 pois o nosso Deus é um fogo consumidor.
O deveres sociais
13
Permaneça o amor fraternal.
2 Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.
3 Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e
dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo.
4 Honrado seja entre todos o matrimônio e o leito sem
mácula; pois aos devassos e adúlteros, Deus os
julgará.
5 Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que
tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te
desampararei.
6 De modo que com plena confiança digamos: O Senhor é
quem me ajuda, não temerei; que me fará o homem?
Os deveres espirituais
7 Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos falaram a
palavra de Deus, e, atentando para o êxito da sua carreira,
imitai-lhes a fé.
8 Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.
9 Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas;
porque bom é que o coração se fortifique com a
graça, e não com alimentos, que não trouxeram
proveito algum aos que com eles se preocuparam.
10 Temos um altar, do qual não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo.
11 Porque os corpos dos animais, cujo sangue é trazido para dentro do Santo dos
Santos pelo sumo sacerdote como oferta pelo pecado, são queimados fora do arraial.
12 Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta.
13 Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu opróbrio.
14 Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a vindoura.
15 Por ele, pois, ofereçamos sempre a Deus sacrifício de
louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu
nome.
16 Mas não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir com
outros, porque com tais sacrifícios Deus se agrada.
17 Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por
vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o
façam com alegria e não gemendo, porque isso não
vos seria útil.
Algumas recomendações pessoais
18 Orai por nós, porque estamos persuadidos de
que temos boa consciência, sendo desejosos de, em tudo,
portar-nos corretamente.
19 E com instância vos exorto a que o façais, para que eu mais depressa vos seja restituído.
20 Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer
dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas,
21 vos aperfeiçoe em toda boa obra, para fazerdes a sua vontade,
operando em nós o que perante ele é agradável, por
meio de Jesus Cristo, ao qual seja glória para todo o sempre.
Amém.
22 Rogo-vos, porém, irmãos, que suporteis estas palavras
de exortação, pois vos escrevi em poucas palavras.
23 Sabei que o irmão Timóteo já está solto, com o qual, se ele vier brevemente, vos verei.
24 Saudai a todos os vossos guias e a todos os santos. Os da Itália vos saúdam.
25 A graça seja com todos vós.
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